Setembro 4, 2007
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11:03 PM
0. Todo princípio é um fim, todo deus ignorado converte-se em um demônio.
1. Tudo que não for egocêntrico está morto.
2. Qualquer coisa que possa ser percebida é real.
3. Algo que não pode ser percebido não é necessariamente irreal.
4. Tente tudo pelo menos duas vezes. Esta instrução obviamente exclui algumas atividades como o suicídio que, pela sua própria natureza, só podem ser praticadas uma única vez. As tentativas de suicídio, entretanto, podem ser praticadas conforme esta instrução.
5. Ignore todas as indicações do tipo ‘direita e esquerda’. Elas servem apenas para confundir, uma vez que o lado direito do palco é o lado esquerdo da platéia e vice-versa.
6. Crie tantos fantasmas quanto possível.
7. Nunca exponha seus pantáculos.
8. A vontade é a unidade do desejo.
9. Quando visitar seu templo de magia, não se esqueça de pagar o estacionamento.
10. Magia é a violação da probabilidade.
Fonte: www.mortesubita.org
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Palavras de Leo Bitarelli
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Abril 27, 2007
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1:06 AM
Bardo de prata, acentuado ou não
Soundtrack: Noisy Lilith Live in Paranapiacaba 2006
A tristeza nos ataca de formas estranhas, espiraladas e na maior parte do tempo, desnecessárias. Qual é a necessidade de vermos no espelho criaturas tão piores do que somos na realidade, cercadas pelos exemplos horríveis que nos tomamos? Qual a beleza de enxergarmos apenas o pus que abandona nossas feridas internas? Quanto tempo leva um corte para cicatrizar sendo que o prazer todo está em enfiar o dedo, sentir o gosto do sangue? A dor é um escape multiuso, o catalisador da própria vergonha, das preocupações inúteis, do fato de observar os bolsos vazios e lançar em algum lugar a desonra ilusionista de achar que é o cú do mundo. E se o cú é acentuado ou não, pouco importa; isso só me lembra de metaplots antigos do Chaves.
O ponto é que ser o profeta quixotesco do futuro inenarrável deu nas bolas. E a vírgula é que simplesmente contar as histórias é chato demais; o verdadeiro bardo, ovate ou druida se baseia muito mais no conhecimento empírico, sensorial, de experiência própria, embora certas experiências eu prefira resignar apenas à teoria e aos relatos. Acentuados ou não, diga-se de passagem.
É quando você olha para seu quarto e vê uma série de coisas que você não tinha há quatro anos atrás, e que daria seu olho esquerdo para tê-las. E o mais interessante, tudo não lhe pertence por conveniência, mas sim por seu suor, sangue, lágrimas e o emprego de caixa de banco que vai lhe render uma terapia, uma úlcera, um poblema nos neuvo, ou no mínimo uma cirrose hepática para aguentar o dia seguinte. E fora do quarto estão coisas muito mais importantes, amigos, amores, o sol que nasce alegremente todas as manhãs enquanto os pássaros cantam e procriam e você xinga a mãe dele por ter de acordar cedo. Essa é a vida, servida em belas taças de prata, e você tem de tomá-la. Acentuada ou não.
E antes de pensar em matar alguém lembre-se dos coreanos: no Brasil, eles não aprendem a falar português e têm lojas cheias de coisas que você queria ter mas não tem grana pra comprar então vai dar uma volta pra ver preço melhor, e nos Estados Unidos eles matam e depois se matam. Resumindo, você vai terminar sem falar português, e o acento vai continuar não importando. É olhar para dentro do seu coraçãozinho cheio de ódio de si mesmo e apertar o botão do foda-se ao menos duas vezes por semana - uma vez que dizer que apertou tal botão uma vez a cada encarnação não vale merda nenhuma, e se esvai em dois ou três dias. É parar de ter pena de si mesmo. É parar de achar que não tem dinheiro para fazer o que tem vontade, porque a vontade é o ato, a vontade sem o ato é a covardia da incerteza, o choro do bebê face à incapacidade temporária. É beber a vida em um gole só, catarrar na calçada e fazer dois jogos na megasena sabendo que não vai ganhar; viver é um beijo da mulher amada, o salto do cachorro sem dono, a unha do gato amigo. A graça da piada mal contada, o gole de pinga que volta, o sussurro no ouvido, o prazer de se ser uma boa pessoa, a despeito de querer parecer ser uma boa pessoa. Afinal, nessa vida, tudo o que temos é nos lambzarmos com o que a vida nos dá. Acentuado ou não.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Dezembro 23, 2006
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2:37 AM
A Coroação de Prata
Suggested Soundtrack: Angel's Eye, Aerosmith
As formas se entrelaçam, seguindo não-padrões de luzes interiores. Fogo-fátuo das almas, traga-me um copo de novos ares, enquanto folheio um câncer espalhado na calçada. Não foi feito pra fazer sentido, não foi concebido em parto normal, é apenas conseqüência de ser, estar e verbo to be; é o princípio da relatividade, o ser ou não ser, o alienígena que se esconde na barriga. A mão de Azalin que me faz esquecer, a tempestade de mandíbulas que sou eu mesmo - arranquei minhas asas falsas embebidas no veneno lento da escravidão. Não sou mais um anjo, nem homem nem bicho, apenas uma criança perdida no tempo, um amigo nos trigais amarelados romanos. Meu sabre está afiado, as cordas estão afinadas, e a liberdade sorri com a força da mãe natureza púrpura. Como um rei de longas tranças, coroado em uma festa alva, me ergo em minha coluna de prata sem nunca mostrar o rosto. Essas são as regras.
Meus dois mensageiros me espreitam, Lobo rasga meus inimigos e me mostra que o poder é dispensável, e o anjo ruivo desceu até o inferno por mim. Não sou mais um anjo, e me sinto livre como não via em centenas de encarnações, exorcizando minha língua. Deixo minhas asas a outra alma que não conheço, livro meus pesares, quero respirar o ar da nova manhã. Minhas crianças me esperam num grito silencioso, e eu espero o momento certo. O volume aumentará, o chá amargo se tornará a visão, minhas palavras ecoarão.
O Maestro do silêncio está morto? Talvez.
Delírio Noturno (Será que é Amor)
Eu ouço barulhos na porta da minha cabeça, não vou levantar
Eu ouço barulhos lá fora, um gemido, um sussurro, não vou acordar
Será que são os meus filhos que ainda não nasceram gritando papai?
Será que são os profetas rezando na Meca há mil anos atrás?
Será que é amor?
As nuvens me mostram caminhos, o lobo de prata me faz um sinal
A noite parece tão longa, se o relógio toca, chegou o final
Eu vejo um anjo vermelho que diz que meus sonhos vão se realizar
Eu tenho uma faca no peito que me traz receio de a hora chegar
Será que é amor?
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Palavras de Leo Bitarelli
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Outubro 31, 2006
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8:21 PM
A Máscara e o Espelho
Suggested Soundtrack: Marrakesh Night Market, Loreena McKeennitt
Os sonhos partidos de um velho louco se animam, agitados pelas cordas de seda dos novos mercadores sunitas. Marionete de mel e frutas, bicho do mato cansado das algemas salariais auto-induzidas do progresso, maestro da morte secular, algarismo da cabala faltante, número de registro em um mapa astral estranho.
Estatística.
Apenas um número, como se sente a nota sol perdida entre cinco paredes, que lhe dizem onde e como deva estar, o que dizer e qual o sabor de maguary mais lhe agrada. Não são apenas os fantasmas do passado, que sussurram o pecado alheio em seus ouvidos e subvertem os gemidos de prazer do caos por uma solidão banal e pressuposta, não são apenas fragmentos de mentalização do que seja felicidade imposta, não são apenas ratos no porão da vida, roendo a roupa do rei de Roma; são sim, pontadas de cansaço pleno, próximas ao miocárdio, revelando que ou muda-se a estratégia, ou perde-se o combate, de prêmio a estagnação em um velho palacete de concreto, flores e massa corrida, cercado de mucamas cegas e a certeza de que não é nem sombra do homem que quis ser.
Respira fundo e bebe um gole da esperança, vinda da Argentina e valendo menos de dez reais. Afinal, se somos números, que ao menos possa ter mais alguns deles na conta.
E fibonacci, maestro tecelão, já alertava sobre o fascínio humano não pelo inexplicável, mas simplesmente pelo que não deveria ser explicado; as coisas perderiam pelo menos metade da graça. E continuo sem saber se algo vai melhorar, se vai piorar ou se 4 8 15 16 23 42 querem dizer alguma coisa. Tudo o que tenho são rosas nas mãos, um punhado de incertezas e um anjo ruivo em cativeiro, que merece muito mais do que sementes de felicidade que posso plantar. Alguns precisam de heróis, outros de compaixão, eu preciso de um banho.
É a mesma sinfonia de dodecassílabos sem rima, a mesma espiral descendente onde dançarinos cospem fogo e tapetes persas loucamente. É mais um ano-novo de bruxos, e um bardo selvagem se encontra perdido em outra corrente de pensamentos, esperando que Minerva dê seu voto e deixe suas roupas mais brancas. Papus ficaria orgulhoso de mim, ao menos se me visse bebendo, já que a harpa está perdida em algum lugar entre Arcádia, Barcarena e Edimburgo. Outro Samhain escondido, entre as névoas que eu mesmo criei no meu sono, enquanto me culpo por não ouvir Gaia a muito, muito tempo.
Sei que não estou morto.
Ainda sou o homem do dois. Ainda sou o Maestro do Silêncio. Criatura Suindara, amante dos elefantes depressivos, filho do Mocho-do-Diabo, mas não sou muita coisa que era. As vinhas crescem, o sabor é diferente ou desconhecido, as histórias mudam, a história muda, ou é contada de maneira diferente. A barba coça no canto esquerdo, como o velho cão trôpego que morde minhas pernas, mas o mundo é outro. Outras canções devem ser cantadas, e se não forem agora, outro ano se moverá pelas costas da tartaruga gigante de Shilelagh. Será que ainda sou irmão dos relâmpagos? Será que ainda sei abrir as brumas? O passado e a jaula do presente me encobriram com tanta doçura que às vezes vejo apenas uma luz na mortalha, uma luz vermelha que me diz que ainda vale a pena, e que me dá novas coordenadas, novos objetivos.
Apagam-se as velas, fecha-se o círculo, feliz ano-novo.
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Maio 3, 2006
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10:39 PM
A inevitabilidade do fracasso
Suggested soundtrack: Paranoid Android, Radiohead
E vem outra porrada do mundo cotidiano, te derrubando como uma pá de neve, a despeito de nessa parte do país não haver nenhuma substância natural que lembre a contraparte alva e gelada de meus irmãos do norte do mundo. Irmãos deveriam estar entre aspas, já que o sangue que corre em igual a cada minuto importa muito menos que um dinheiro sujo, ou algo similar. Contas, contas, contas, e centenas de certos e errados que contrastam com as expectativas, dando um belo panorama de mais um fracasso basicamente programado em p2p. E de que valem os livros, as palavras, tanto conhecimento arremessado violentamente pelas janelas, gritando por perdão, vomitados por algum tipo de pretensão desconhecida. A morte anda descalça, e ri solenemente iluminada pela lua enquanto eu sinto frio nas minhas mãos e o descaso de alguma força superior. Certamente não sou grande ou digno o suficiente para ser notado, aliás nem mesmo haveria outra explicação lógica.
Provavelmente se eu tivesse uma arma, ou assaltaria um banco ou subiria no prédio do Banespa e ameaçaria suicídio caso eu não ganhasse na megasena. E provavelmente as duas terminariam comigo morto ou preso, pois o fracasso continua não sendo uma variável, seja ela x, y ou se serei um homem de verdade aos 50 ou 60 anos ou post mortem. ISSO sim é variável. Já o fracasso é uma constante apoiada por uma função proporcional da expectativa de sucesso, que prova perfeitamente que quanto mais você precisa de algo, quanto mais você quer algo, menores são suas chances de conseguir, ainda mais quando tudo o que está em jogo é apenas seu potencial e seu preparo. O mundo continua rindo às minhas costas, e eu gostaria de saber realmente o que fiz em minhas últimas encarnações.
É como a bala disparada - ninguém poderá trazê-la de volta ao revólver. E sinceramente, quanto mais eu leio sobre como o otimismo pode mudar nossas vidas, mais eu fico pessimista.
Esse mundo sinceramente não é para mim, é como um manjar dos deuses, porém com abóbora e carne seca. E como nota mental, tudo o que eu for fazer de importante eu farei completamente bêbado, sem preparo e sem qualquer expectativa. É perda de tempo levar essa vida infame à sério.
Evey Hammond : You're getting back at them for what they did to her...and to you.
V: What was done to me was monstrous.
Evey Hammond: And they created a monster.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Março 22, 2006
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11:44 PM
A lâmina do erro e do acerto
Suggested Soundtrack: Feelin' Way Too Damn Good - Nickelback
Eu ainda me pergunto coisas inúteis sobre o tempo e conjugações verbais inatas do ser humano, a velha trindade mineira doncovin, oncotô e pocovô? que fere pessoas de incontinência urinária desde a Grécia antiga. E passando os olhos de uma maneira mais digna de deus (Google, não Tupã), vemos as falhas mais simples da máquina do caos, como quando um dia fantástico se torna uma cascata de lixo despejada sobre nossa cabeça nua, molhada de chuva e sem chapinha (o aparato capilar, não o vinho homicida). A falta de uso de maiúsculas no corpo do texto é uma fraqueza que eu posso me permitir, uma vez que eu posso me permitir qualquer fraqueza - sou humano, não humus (o adubo de minhoca, não a pasta árabe).
Eu olho com os olhos de pai a cidade das oportunidades que eu não vou alcançar, o pote de ouro do duende que não vai ser o suficiente para ajudar as pessoas que eu sei que precisam. Um aglomerado de chances que vão ser jogadas em minha cara a cada passo, jogando em loterias da vida e jogando sonhos para o canto (a aresta de volume de um corpo tridimensional, não o uso do aparelho vocal), observando a poeira fina através das lentes riscadas do meus óculos escuros, que por acaso são mais velhos e mais bem-sucedidos do que eu. As letras de música já não me fazem tanto sentido assim, e a trilha sonora nunca esteve tão silenciosa. O Maestro do Silêncio novamente? Provavelmente não, eu ainda tinha algum orgulho naqueles tempos, um último lampejo de consciência iluminados por sonhos de uma idade mais tenra (como ingênua, não como a carne de tender). A chuva deveria limpar tudo, e deveria trazer inspiração, mas eu não quero ser o profeta do apocalipse, muito menos do meu. E as contradições continuam, em espiral (a forma geométrica, não a fábrica de material escolar).
E quando se espera uma palavra doce, algum vale-alegria do governo, o que prevalece é o mal-entendido, a mágoa. Culpa minha, claro. Sempre é culpa minha. E sempre vai ser.
E até as formas de entretenimento se tornam uma forma de tristeza, quando você percebe a sua desgraça ilustrada em algum filme selvagem, porém representada por um personagem que é bonito, respeitado, tem mais responsailidade do que você nunca vai ter e não precisa estudar para o concurso do Banco do Brasil. É simples como simplesmente se sentir usado, passado, cansado. Fodido e Mal-Pago, talvez esse seja o termo certo. E ainda sou obrigado a ver alguém muito mais medíocre do que eu usando um terno e um celular que talvez valham mais do que a minha vida para algum viciado armado e de olhos vermelhos (de sangue, não de entorpecentes), procurando uma nova (de recente, não de idade) vítima para seus impulsos, esperando a mais limpa dor de consciência algum dia.
É foda, muito foda.
Só espero que o inverso do caos seja verdadeiro, e que dias medonhos possam me surpreender com alguma dose. De otimismo, não de mais vícios.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Fevereiro 21, 2006
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3:11 AM
A Espiral
Suggested Soundtrack: But I Still Haven't Found What I'm Looking For - U2
E depois de um reveillon chinês, o que virá? Mais espetos de grilos famintos e falantes, enquanto nós, meras ovelhas clonadas, olham para os céus pedindo perdão pelo que tivemos medo de fazer. É quando o amor se torna só um elo da corrente, o "tuin" do clorofórmio. E a camiseta está molhada não de suor, mas de algo que você não controla - e não estou falando de ejaculação precoce.
E seu cão te olha com aquela velha cara de súplica e decepção, pois por mais que você queira, você não o entende. Ele pode ver além das suas roupas epidérmicas, e tudo o que você sabe sobre ele é que ele precisa de um banho, assim como você. E então tudo pode se transformar numa maldita ligação, com o medo de um acidente inevitável de cidade grande. Como querendo ser o último herói renegado nessa cidade de limo, e não sabe se tem condições para tal. A fuga? Custa duas vezes seu salário, é longe demais e tudo o que pode te oferecer talvez esteja displicentemente escondido num canto preguiçoso da sua mente. A iluminação é uma busca, um conflito ou só um ciclo que te leva a perceber que a felicidade na verdade é apenas um prato de macarrão bem-feito ou um brigadeiro falso de padaria? São perguntas demais, insetos demais nos ouvidos, e as disputas de terras e quinhões são só um pretexto para se esconder do medo da morte, quando se sabe que não foi seu peito depilado que fez a diferença, mas suas atitudes boas ou ruins. E você nunca sabe em que ponta da bússola você pode estar, até porquê você acabou de fumar a ponta escondido dos seus pais.
E a inspiração que só te bate quando por ventura acaba sonhando com uma parte do passado que estava soterrada de poeira, inatingível na consciência que a solidão sóbria te proporciona? O mais interessante é que ela aparece sinteticamente após meio litro de qualquer coisa que vá lhe dar sede no dia seguinte. A dor de cabeça talvez seja só uma dor de consciência, ou um esforço desesperado do seu corpo para te avisar que você ainda está vivo, apesar de tudo. O delírio que sentiu e fez sentir passou - o que sobrou foi um cacho de uvas transgênicas na sua cabeça, esperando a lua fazer sentido, efeito e quem sabe um bolo de cenoura. Só é simples ser você mesmo quando a ótica é externa, afinal a grama do vizinho é sempre mais verde, sedosa e não usa nenhum xampu de limpeza profunda. Isso porquê eu sempre morei em apartamento, e meu vizinho não tem um gramado.
E mais nada. A dúvida é mãe infinita.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Janeiro 24, 2006
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2:33 AM
As últimas cartas
Suggested Soundtrack: Foo Fighters - Low
Eu ainda sinto o cheiro das folhas, o gosto do orvalho, mesmo que nada exista de verdade - o empirismo da mão cheia. Imagina os anos que se passam lentamente, completando um velho Black Jack onde a mesa sempre ganha e você corre sozinho, endividado, com dois meses de atraso e não-grávido. Decifra-me ou te devoro? Só se for a dinheiro, amore.
Voando baixo para não perder o caminho. Não perca o caminho, filho do vento morto. Suas lágrimas só lavam as mãos arranhadas.
E de repente, me vejo sem um coringa, a uma carta de me agarrar. Esse corpo que me sustenta nada mais do que que me condena, essa possibilidade de descarte por um infarto do destino. A um passo da canastra perfeita, me livrando desse jogo de paus, rumo ao ás de espadas, lutas e desafios da minha alma. O jogo de ouros não me pertence mais; só quero uma trinca. O grande ponto é que não posso me desfazer da rainha de copas. Ou não posso, ou não devo, ou não quero, ou é minha única alternativa. Pois sou apenas um valete de espadas, com as mãos cheias de esperanças, tolices, e uma conta no Gmail.
Talvez eu pegue o morto. Talvez eu tenha de comprar a mesa, correndo o risco de ver os coringas se esvairem. Nada faz muito sentido, nem mesmo o fim do mundo gnóstico. Cada olhar é uma nova descoberta, cada descoberta é velha como um resultado sete em dois dados de seis lados. Só se for a dinheiro, amore.
Quer saber, acho que bati. Ou apanhei de novo.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Novembro 10, 2005
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3:04 AM
Cápsula de Vento
Alguém aí tem certeza do que é estar cansado? Os exemplos voam pela minha janela, me chamando para o antigo vôo noturno, mas e quando se sente uma velha sensação de que se as coisas não estão em seus certos lugares, ao menos estão correndo na direção correta?
O mundo costuma gritar por educação, enquanto a escola da vida continua me dando lições que eu ainda não posso compreender. A borracha que não terminei, a música que permanece órfã, o Yakult que sempre termina antes do tempo e as cartas que nunca recebi. Tantas folhas espalhadas pelo meu quarto, qual a sensatez que eu devo buscar e em qual garrafa ela está guardada?
Todo esse conhecimento, toda essa resignação, todos esses testes que resultam mais uma vez em toda essa espera. E enquanto durmo, não tenho mais as visitas de Willawau, mas sim de almas que nunca vi antes, mas espero conhecer. Se ao menos eu estivesse preparado, mas não estou, e nunca vou estar. É o meu destino, eu sei que é, eu espero que seja. E outra vez as armas são apresentadas, lá vamos nós para o clichê duelo com minha própria consciência, onde os dois saem feridos e mais uma vez esperam - pela vida, pela morte, pelo caos, pelo sim ou pelo não, pelo que pode vir enfim, ao menos por algo diferente, por algo que eu tenha ou que ao menos faça algum sentido.
Enquanto trocamos de lados, as pessoas continuam se afastando de mim. Talvez por isso todo o meu futuro consista em fugir antes que eu continue sozinho. É como nas antigas tribos, na qual os velhos e doentes rumam para uma peregrinação antes que lhe peçam para que possa morrer longe dos olhos da tribo - mas eu ainda alimento a fogueira juvenil da esperança. Eu tenho de alimentá-la. Frenatae MUST rise, dizem as profecias. Profecias de um falso profeta, mas ao menos um falso profeta sincero.
A vida só é sem graça porque não tem trilha sonora.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Outubro 3, 2005
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1:22 AM
CELEBRAÇÃO DO ALEATÓRIO
Parte 1 - A Igreja das Velhas Recordações
Em primeiro lugar o maior
Show sobre pernas
Deste lado da Terra
Ela chora e grita
E no meio do ataque
Corta os pulsos
E sangra conhaque
A dança das borboletas inicia em slow motion, com línguas lepidópteras monocromáticas brandidas como brasões envelhecidos. O gosto da ferrugem é só um beijo do passado, o homem que você ama é apenas uma sombra, apesar de nunca ter sido nada. As mãos ligeiramente cansadas fingem um orgasmo na esperança de que um dia, talvez, quem sabe, aleatoriamente, o futuro possa ser mais que uma mancha borrada de algum inseto infeliz sangrando no pára-brisa. O messias está morto, o rei pode ser coroado em sei leito de morte de Algafan, e o que resta é lançar a alma do vício pela janela, enquanto se assistem metamorfoses e partidas de entes queridos. Sete anos, outra mensagem silenciosa, outra noite de domingo largada entre uma garrafa, um cigarro e um espelho mágico quebrado.
Toda a numerologia e simbologia devem ter um significado. Precisa ter um significado, não pode ser apenas um ponto negativo de golfe flechando o impossível, a mesma velha música que não inspira. O estômago grita como um velho mantra, o prenúncio de uma morte que nunca aconteceu, o precipício sobre a esperança de um dia se ter toda a felicidade gasta no mesmo cassino indígena. Talvez eu precise de uma arma bela o suficiente para gritar em minha orelha, uma faca sensual o suficiente para lamber meu pescoço, um nirvana otomano molhado de sangue anônimo, ou uma posição sexual nova que engravide o pé da cama.
Um latido seco no meio da vigília, o anjo branco grita meu nome em uma língua que já não mais entendo. Sua face me encara com feições pálidas que não reconheço, e sou castigado com o desconhecimento dos segredos do mundo, mais uma vez. O relógio ancião não grita mais as horas - será o momento certo para reaver o futuro que nunca tive, mas que já escorreu por minhas mãos como um peixe de asas? O paraíso grita, grita, e eu continuo surdo, mudo, idoso e com a mesma paralisia infantil.
E se a honra fosse lavada? Tal qual lençol abortado, também tem o destino sua maciez... e se o momento em que o passado encontra o presente tenha alguma convergência sobre o ponto de energia localizada gordurosa do futuro, devo estar pronto...
Mas lepidópteros saltam de meus bolsos.
Parte 2 em http://www.fotolog.net/sob_o_caos.
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Setembro 9, 2005
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1:37 AM
Futuro do pretérito imperfeito
Claro que posso te vender esse pedaço de carne. Ele é mais seu do que meu, enquanto eu esquecia de me possuir. Enquanto eu molhava o velho lenço de clorofórmio, você podia se divertir com esse sopro de Leprechauns que eu mesmo criei na roça - afinal não são só galinhas ou patos mágicos de cloaca indolor que botam ovos. Perspectiva doce tal qual veludo, tal qual doce de leite, tal qual falta de inspiração, como o velho quadro abstrato que eu uso no peito - talvez um alvo, talvez um sonho, meio recordação, meio cheirando aos incensos de mirra de talos verdes. Não importa mais, eu fui acordado no meio da noite e às vezes lembro do seu sonho, às vezes do meu, às vezes de abaixar a tampa do vaso.
Eu procuro na minha epiderme a sensação de vôo, que só lembrei agora porquê estou tentando impressionar alguém. Como abrir as neblinas de inverno, como as palavras arrancadas de uma maneira tão inteligente que não consigo mais repetir. O processador de texto me mostra uns quinze erros de concordância, mas eu também não concordo, e fica tudo na mesma.
A vontade de sorrir continua a mesma. Às vezes até escapam um ou dois enquanto tomo banho na correnteza de ainda ser um belo açougue fisiológico. Minha antiga espada foi reforjada, e talvez ela seja a pedra-chave de todo um processo necessário para a compreensão do universo, como eu sei que o é.
A bela dama em azul marinho me seduz. Ainda não é sua hora, honey.
Recolho meu alforje. Poucas coisas. Duas linhas de solidão encrustradas são meu colar, meu cinto insiste em cair, nobre exilado poeta das terras ermas. Suave cheiro de jasmim... Não lhe vejo, mas sei bem onde estás. Provavelmente não se lembra mais, leve essas pedras e estamos quites.
Sem mais anagramas... só o sabor alvo imaginativo na boca.
So Much feeling... just for a future... "No"?
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Agosto 20, 2005
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1:30 AM
Quando o mundo gira além do seu quarto
Tecendo na trama como a velha a fiar importunada pela mosca, beijo a boca molhada do infinito. Amarro o nó do cadarço tal qual simpatia para não esquecer de que ainda sou o velho dançarino da melodia reciclada, coro de seiscentas vozes de metal das canecas contra as grades, mãos apalpantes que não existem em dicionários digitais, os tambores invocando a entidade irreal do eu-mesmo. Flertar com o erro não é errar em si.
Mil desculpas pela desconexão. Essa é a realidade encalhada que nos acostumamos, não é? By the way. São só palavras de um velho em corpo de jovem que simpatiza mais com Gomorra do que com Tel'Aviv, você entende? É claro que não, se agarra à cruz estampada em sua genitália encarcerada pela vergonha de seus ancestrais ligados ao imperador Constantino. Pelo Caos, não, não sou satanista, ele é mais jovem do que eu. Se eu tenho um pacto? Não... Ele é que devia ter um comigo.
É quando você percebe que não é imortal e tudo o que quer é deixar cicatrizes nesse mundo anoréxico de cabelos lisos. Tudo o que se tem a perder é um emprego na porta do paraíso, olhando da guarita enquanto as sombras têm seus orgasmos durante a madrugada. A ética ainda deve valer alguns centavos, eu prefiro guardá-la na hora de pagar o pedágio - afinal de contas, está na minha bíblia, nada desaparece, tudo se transforma. E se eu devo ser algum louco messias pentagramizado (crucificado já é batido) nos séculos que virão, então que ao menos eu faça o trabalho sujo. Existe alguma maneira mais interessante de deixar o mundo sangrar do que deixar que o mundo sangre você? Um outro cabeludo pensou dessa maneira e seus livros vendem bem até hoje... tomara que meus filhos adquiram os direitos autorais de minhas músicas.
E a paranóia de ser pego fazendo algo universal? Só existe um medo a ser encarado de frente: a distorção vocabular. Eu não quero nenhum idiota explodindo metrôs em meu nome, ou que me mate com a justificativa imbecil de ser meu fã. Sob a chama do meu colchão velho, eu posso ver alguns insights do meu futuro, e todos me mostram que ou devo viver constantemente vigiado pela guarda real ou meu processo de punição herética terá início. Viver na ignorância é viver mais.
Eu só preciso de umas semanas, uai. E me dê a garrafa de volta. Voltei a digitar corretamente.
Quem sabe se eu pular do meu prédio pelado, vendado com uma carta amarrada na canela com a frase "Eu sou um Pombo-Correio"? Será que entenderiam? Provavelmente não, eu também não entenderia. Aliás, eu não entendi. Mas me pareceu interessante. Eu quero sede, eu quero fome, eu quero sono, eu quero o meu animal, sexo, transgênicos, guerra na verde estrela sobre manto vermelho e branco, vermelho sangue fazendo bungee jump ao solo, vermelho rodopiante me convida para o amor, vermelho fluorescente me cega mas me desligo dessa casca branca adornada em vermelho e preto, com a alma vermelha, lendo nos ossos a roda da vida. Coerente né? Também achei.
Só espero o suficiente para ver meus cabelos brancos pintados de roxo, tocando blues, engordando e vendo que cumpri minha missão. Messianidade não é exatamente minha vocação, mas quem não tem cão caça com capivara metropolitana. Afinal, como diriam os antigos oráculos de Delphos,
Vamos ver no que dá.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Julho 21, 2005
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1:46 AM
Ainda há tempo de correr...
Corre com as pernas que teus pais pirilampos lhe deram, na chuva desesperada pela sua mentira valiosa. Me confesso para o reverendo, que me vende palavras douradas - as mesmas strippers precoces, lambendo as coxas de São Guinefort em forma de devoção plena. Lucy, me tire desse e-mundo galinheiro antes de me fermentarem e destilarem, não foi isso que estava nos escritos sagrados da roche, eu quero uma overdose de água e café, um beijo de boa noite escarrado e virgem, um tapa na cara que não se baseie em alguma lógica binária, quero um copo de indiferença como aquele quadro que eu pintei sobre a garota enforcada por amar além da carne. Um bife de fígado sorrindo cirroses múltiplas.
Like the old times, baby, I´m just trying to do my best.
E quando os ovos do amanhã eclodirem, em que trincheira vou estar deitado? Qual é a encarnação que vou escolher se o monstro do armário esteve em todas elas? Para quê vou querer um sapato, se eu não tenho meus pés? Qual é o gosto de sangue, quando ele não me abandona quando me levanto? Qual é o sentido de se ser jovem, cheio de uma vida plastificada que me foi alugada com uma série de defeitos no reator central enquanto eu vejo palavras escorrerem pelo ralo com tanta delicadeza quanto um Hummer cruzando o deserto de Gobi? Sumatra é um belo local para morrer, cheio de dentes, quem sabe uma pequena horta nos fundos onde eu possa descobrir de onde vem o curry.
Like the old times, baby, I´m just living a rapid-eyes-movement dream.
Criança natimorta nos pés do cristo redentor, com aquela velha dor de fome. Velhos exercícios só me trazem dor, antes de 28 minutos ou meu pedido é de graça. A vida devia ter algum termo de garantia, ou ao menos uma ficha de consumação mínima para tentar compensar anos de respeito que nunca tive, centenas de dólares largados enquanto tropeçamos nas velhas ingenuidades infantis. Olhe no espelho, com suas ilusões de conforto, e me diga se seu ego é assim tão majestoso ou você está simplesmente grávida?
Like the old times, baby, I´m just following the sweet voices in my head.
Um papel contendo meu enigma de soropositividade me espera em algum lugar mal iluminado, sem paciência de me tornar um dos escolhidos do mundo inútil que fui escolhido para povoar. Crescei-vos e multiplicai-vos. Foda-se. Me dê mais uma ficha, uma taça dos meus próprios méritos, mais um gasto percussivo nessa vida inarmônica. Quais seus predicados? Os meus, são do objeto indireto.
Like the old times, baby, I´m just trying to be myself.
Like the old times, baby, I´m just trying to do my best.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Julho 8, 2005
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2:27 AM
Wrinkled Magazine
Suggested Soundtrack: Rotten Apple, Alice In Chains (1994)
Doce volta do paraíso. Algumas penas perdidas no abismo, mas nada além dos velhos guarda-chuvas de ontem. Odin me observa de seu templo; os ventos sopram do norte, e tudo o que têm a me oferecer são os óculos escuros guardados no armário. Poeira, cavalos assassinos e amores enterrados de maneira épica e maximalista sob a sombra do velho gato louco. Levanta da morte, esboça um sorriso peculiar. Já é solstício? Perdi no tempo, nos sonhos transgênicos marcados a ferro quente dos domínios do barão de Zaporizhzhya. Merda, você diz com sua língua bifurcada. Engula o veneno do passado, posso até preparar uma caipirinha se quiser, ao som da Quinta Sinfonia em Fermata dos Erros de Ontem.
O salto foi solitário, frio como corte meticuloso de cadáver, preciso e previsível. O ar rarefeito enche o tanque cancerígeno, regenera o lábio inferior amputado no difícil exercício de ser um ser constante, beija a madeira envernizada que contém mais amor e respeito do que o velho saquinho de x-salada no canto da lenda de 333 dias. Ainda posso respirar as cinzas dos sentimentos, e tossir sangue na pia rindo, fazendo uma bela piada mental sobre minha expectativa de vida ser o máximo de semelhança que tenho com os celtas. Túmulo flutuante, refletido na parede de palhas; o fogo destrói tudo, até as lágrimas displicentes em arranjo floral branco e vermelho. Traga meus remédios por favor, são minha segurança de não morrer de velhice.
Respire.
Fundo.
Empoleirada na cruz druídica, desenha seu próprio caminho para o fim. A estrada é bela e cheia do dinheiro sujo que colhemos em noites de beltane corrompida e amarrada aos novos ritos. Todo pré-adolescente tem seus devidos athames, de qualquer maneira. Como seria a inquisição? O cheiro de carne queimada me traz recordações de leis anteriores... o universo ainda era uma cobra tentando morder o próprio rabo.
O passado cheira a aromatizante barato de morango. E isso é MUITO engraçado.
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Palavras de Leo Bitarelli
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Junho 27, 2005
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3:25 PM
Quando se revela a mudança da décima terceira carta para a décima quinta
Dodecaphony way of life
I´m not your harmony
I´m just a single song
Or it´s just... lunacy?
Mais de mil e quinhentos dias, as revelações se mostram flutuantes. Sem emissões antigas de fósforo carbono, os fantasmas são mais imaginativos e riem alto nas paredes roxas da casa possuída. O exorcista não tem mais o mesmo nome - apenas brinca de fazer sexo com um velho espelho queimado. Chama do norte, me traz a visão do que eu não esqueço e crio no gracioso viveiro de aves ordinárias que me seguem, enquanto todos cantamos de mãos dadas ...people are strange, when you´re a stranger, faces look ugly when you´re alone... e os sonhos da humanidade são um belo verme dourado da maçã de minha amada Éris. Hoje teremos as fogueiras; acho que vou pular nela para me lembrar do que é viver intensamente... Thor está morto e enterrado, os céus não são meus desde que perdi a virgindade.
Krishna sangra púrpura na parede. Se meu nome fosse Caronte, eu ao menos não chegaria mais atrasado, já que o tempo teria para mim tanta validade quanto o pino dourado do pneu da Mercedes que não tenho. Se você tem tanta fé de que a vida é uma merda, sobreviva mais quarenta anos e você vai ver a felicidade de a cada dia tudo o que querer é ter dignidade o suficiente para poder ir ao banheiro do asilo sozinho. Os espíritos zombam dos meus devaneios, só um detalhe cancerígeno para quem têm o gosto de sangue na boca assim que acordam. Pelos estandartes húngaros, esse sangue não é meu... meus cascos ainda estão marcados pela última garrafa de vinho, cheia de segredos gelados de metanol. O giro sexy do manto da morte sobre minha cabeça embriagada dá perfeitamente a entender que eu era e quem devo ser... e continuar arremessando na latrina o cinzeiro prateado do imperador de Atlântida. Ainda vomito o que me faz mal - o que me faz louco é o que me faz vivo. Keep it, boy.
Tio Argyle me ensinou a usar essa esponja molhada de tudo o que não entendo. A voz percussiva na minha cabeça me lembra dos pactos que fizeram comigo e do significado mórbido de perder metade da visão. No vôo noturno, rasante sobre a angústia, ainda me faz feliz uma simples atividade gravitacional, com previsão de chuvas meridionais por frente fria vinda do mesmo inferno que um dia sei que vou controlar.
Respirar o passado é um auto convite para a doença. Mas esse sorriso estranho na minha cara deve significar alguma coisa...
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Palavras de Leo Bitarelli
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